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The Digital Doctor: os desafios da tecnologia aplicada à medicina

O tema deste artigo é o livro The Digital Doctor, publicado em 2015 por Robert Wachter, diretor da Faculdade de Medicina da Universidade da Califórnia em São Francisco. Atuando na instituição há 26 anos, ele é membro do Conselho da Sociedade Americana de Medicina Interna, tendo se formado como médico em 1983 pela Universidade da Pensilvânia. 

Em sua carreira como médico e escritor, Robert tem vários livros já publicados que falam sobre temas como sangramentos internos e identificação de condições de segurança do paciente, entre vários outros. Com uma ótima capacidade de escrita e grande conhecimento técnico, seus livros são sempre imperdíveis.

A revolução tecnológica na medicina

The Digital Doctor aborda a revolução tecnológica que está tomando conta da medicina no momento e comenta sobre as interações entre tecnologia e médicos, pacientes, instituições de saúde e governo. O livro fala, ainda, sobre toda a esperança acerca desse movimento, o “hype” por trás dele e até mesmo do mal que às vezes causa. 

O livro é dividido em seis partes e, em cada uma, o autor comenta desde a desumanização da medicina provocada pelos computadores — argumentando que a necessidade de prestar atenção nos computadores tem afastado os clínicos dos pacientes — até problemas comuns que ocorrem nos hospitais, seja quando os médicos resolvem se digitalizar e abandonar os prontuários e documentos impressos ou quando há problemas catastróficos causados pela superconfiança geralmente depositada em computadores no ambiente da saúde, citando um caso em que o paciente recebeu uma superdosagem de medicamento devido à superconfiança no computador e falta de confiança no instinto pessoal.

O potencial dos computadores na prática

O autor também fala muito sobre o outro lado da moeda, sobre os gigantescos e inegáveis potenciais que computadores podem ter na prática médica. Entre eles, a diminuição do custo de saúde, que tem escalado rapidamente a níveis muito perigosos; a diminuição dos erros médicos, que hoje são a terceira causa de morte no mundo; a melhor distribuição de recursos e profissionais entre hospitais e centros de atenção; a maior integração das informações em saúde, que atualmente se encontram sempre espalhadas em várias instituições dentro de pastas cheias de documentos, mal organizadas e de difícil acesso. As possibilidades são infinitas, o que não é difícil de concordar.

Algumas das inovações que o autor cita como potencialmente transformadoras são:

  • sistemas computacionais que realizam a transcrição da consulta, de forma que o médico realize a anamnese oralmente e o próprio computador entenda a conversa, sintetize o que foi dado e organize as informações por escrito em prontuários, permitindo que o médico preste mais atenção no paciente;
  • a integração entre os vários prontuários, resultados e procedimentos do paciente em uma espécie de fichário eletrônico universal, procedimento esse muito difícil devido à total falta de interoperabilidade dos sistemas de prontuário já existentes, à falta de incentivos dos pacientes e médicos para manter tal documento atualizado e a potenciais riscos de ataques cibernéticos;
  • um robô cirúrgico, similar aos que já existem, mas que consiga, com sua câmera inserida no paciente, pela qual o médico navega os tecidos durante a cirurgia, identificar veias, artérias e estruturas específicas, sugerir os próximos passos, a localização da próxima estrutura-chave;
  • o tão sonhado, ou temido, programa que faça diagnósticos de condições e comorbidades através de atendimento autônomo, bem como de suas dificuldades gigantescas — e por vários consideradas totalmente intransponíveis — no ponto de vista tecnológico, emocional, legal, entre outros.

Tudo isso se passa em formato de linha do tempo, pela qual o autor transcorre a crise financeira de 2008 e, como resultante dela e dos gastos governamentais para estímulo da economia, o grande financiamento obtido pelo ONCHIT, ou ONC, (departamento da Casa Branca responsável por coordenar os esforços de Tecnologia da Informação na medicina e saúde), financiamento esse que permitiu o amplo estímulo à digitalização de hospitais e consultórios médicos e possibilitou a ascensão de uma grande in

dústria tecnológica na saúde nos anos seguintes.

Dessa forma, o livro, considerado a bíblia do mundo healthtech, é uma leitura fundamental a todos que desejam saber mais sobre a área.

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Este texto foi produzido por Wander Leão Valentim, Agente de Desenvolvimento da Feluma Ventures. Wander é estudante do oitavo período de Medicina na UFMG, está ainda cursando o MBA de Gestão em Saúde pelo BBI of Chicago e tem passagem em Ciência da Computação por Harvard. Já lançou mais de 15 aplicativos, trabalhou por 3 anos como professor de programação, participou de Startup Weekends e outras iniciativas.

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